CRÔNICA: O LAMENTO DOS IMORTAIS - Prólogos

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

CRÔNICA: O LAMENTO DOS IMORTAIS - Prólogos

Mensagem por Cyan MacLeod em 06.12.15 5:39

AS TERRAS OCIDENTAIS
Ano 274 depois do Desembarque de Aegon - Primavera - 2ª Semana do Mês do Julgamento - 2º Dia do Ferreiro


"A Terra sempre chora a dor de seu senhor"



Tomas acertava a parede de terra a frente com sua picareta de confiança. Encolhido naquele túnel baixo e mal iluminado, sua única noção do tempo além da experiência de muitos anos passados no escuro daquela mina de ouro era a fome em sua barriga. Não devia faltar muito tempo para o final daquela tarde dolorida.
Ele estava animado, e colocou sua mão calejada e suja dentro da camisa esfarrapada. Pegou uma pequena peça de madeira, entalhada bruscamente na forma de um soldado sobre um cavalo.
Havia conseguido o brinquedo em sua ultima visita ao porto de outono, a qual fora escondido da esposa. Estava empenhado em fazer uma surpresa a sua filha, que completaria mais um ano hoje.
A imagem de Sarisa veio em sua mente: A pequena garota ruiva de tranças, pele pálida e bochechas sardentas. Ela segurava um pedaço de pau e sorria, vendo o soldadinho.
Ele sabia que não era bom para uma menina brincar de cavaleiro, mas ele já não se importava mais, desde que sua esposa adoeceu e o velho Moki lhe disse que ela não poderia mais ter filhos. Sarissa era sua única filha, sua joia. Ela poderia ser o que ela quisesse. Pelo menos enquanto ainda fosse tão jovem. E esse era o segredo deles. Apenas deles. De um velho pai e uma pequena criança, que brincavam acreditando serem cavaleiros.
O homem sorriu e fechou os olhos brevemente, pensando que aquele era um bom dia.

Ao menos um dos mineiros que trabalhavam naquele final de tarde estava contente, quando a viga cedeu e o gigantesco punho de pedra os esmagou, completamente indiferente a seus espíritos, fossem cheios de sonhos ou de lamentos.
Alguns foram soterrados ainda vivos, outros quebrados em partes. Tomas desapareceu entre a terra, ainda sonhando. A chuva, que não cessava a dias, continuava, e ao anoitecer podia-se ouvir do pé da montanha o sino de alerta vindo da mina.
A pequena Sarissa era jovem demais para entender o que acontecia, e bastou-se em observar toda a comoção, enquanto esperava ansiosamente pelo pai.

...


CYAN


Por gerações anteriores a chegada de Aegon, os MacLeod haviam reinado sobre a montanha, com uma coroa de ferro e ouro e joelhos dobrados apenas aos Lannisters. Com a vinda do conquistador, a coroa havia sido deixada de lado, mas a casa se manteve de pé sobre o pico mais alto das cordilheiras do oeste.
Gerações de lordes cavaram a rocha e a transformaram pouco a pouco em espadas e moedas. Ali mesmo, os nobres enterraram os mortos, e por isso as vezes é dito que os MacLeod voltam para a montanha ao fim de sua vida.

Era um dia escuro, como todos os outros nas ultimas duas semanas. Sob a chuva, o gigante enegrecido havia sentido o vazio deixado em seu ventre, e decidiu clamar mais vidas para si, apanhando-os em suas entranhas. Colhia um tributo em troca do metal que uma vez cedeu aos homens.
Como os MacLeod, eles voltariam a terra, e talvez se tornassem imortais, como a própria montanha era.

O trabalho de resgate se estendeu por toda a noite, encontrando somente uma manhã que não trazia esperanças. O segundo deslizamento não trouxe apenas mais mortos, mas também um peso enorme sobre a moral dos vivos, e os mineiros começavam a curvar-se pelo desespero.
Foi quando, dentro do túnel de acesso principal, entre as pedras que eram retiradas, começou uma confusão. Um mineiro vindo de um dos clãs das terras altas, ofendeu um homem forte de um clã da montanha, e logo começaram a se empurrar. Alguns tentavam separa-los, enquanto outros estavam prontos para juntar-se a briga, loucos para esmurrar algo em troca daquela frustração que não havia como tocar.

De repente, um homem surgiu vindo da multidão, e correndo, tentou empurrar o montanhês que estava pronto a desferir o primeiro soco. "Parem já com isso!", gritou.
Ele era forte por si só, mas muito menos que o mineiro, que não saiu do lugar. Este por sua vez, mudou a trajetória seu punho e acertou de raspão o rosto do que o havia empurrado.

Naquele momento, todos pararam, em silêncio. De relance, sem camisa e sujo de lama como estava, ele até poderia parecer um mineiro, mas bastavam alguns segundos para perceber que ele era, na verdade, um nobre. Era Lorde Cyan MacLeod, irmão do próprio senhor de Coroa Dourada.




Percebendo o que havia feito, o homem se arrependeu, e sua raiva foi substituída pelo medo. Sabia que por lei, camponeses não podem tocar em nobres, e uma agressão pode custar uma mão, ou até a vida.
Cyan limpou o rosto e disse: "O que vocês estão fazendo? Por acaso nós não temos trabalho para fazer? Vocês aqui brigando, enquanto tantos homens estão presos sob a terra?"

"Esse maldito montanhês, eles acham que são os melhores por aqui, eu vou mostrar para esse..!" disse o mineiro vindo das terras altas.

Era verdade que a rivalidade dos clãs causava problemas. No ultimo ano e desde que voltara a sua casa, Cyan havia se dedicado em assegurar a paz nas terras da casa MacLeod. Na ausência de invasores, o que mais se via eram pequenas violências fruto dessa animosidade.
Com seu jeito simples, ele conhecia muitos dos camponeses,  suas famílias, suas histórias. Quase tão bem como seu amigo Grinn, patrulheiro das terras altas. Olhando em volta, viu nos rostos cansados uma brecha na moral dos homens. Era como uma fenda na muralha de um castelo prestes a cair.

"MacAllisters, MacRugans... Quem são aqueles presos na mina hoje? Debaixo das pedras ou sangrando as mãos para tira-las, hoje somos todos irmãos. Somos todos MacLeods!"

Seguro de suas palavras, a presença do jovem lorde se tornava tão vivida que era capaz de acender novamente o espírito dos trabalhadores. Mais do que um senhor que falasse do alto de sua sacada, Cyan um nobre que estava ali com eles, sujo da mesma lama. Ele havia vindo pessoalmente das terras altas para a mina, logo que soube do primeiro deslizamento, e não havia deixado o local nem uma vez, trabalhando lado a lado com os mineiros. Se alguém poderia fazer com que eles deixassem suas diferenças de lado por alguns momentos, com certeza esse alguém era ele.
Aproveitando a oportunidade que criara, seguiu em frente: "Vamos, precisamos de mais braços naquela parede! Quem vai ser o primeiro a abrir esse buraco?!" Dizia enquanto apontava e cordenava os mineiros, que revigorados, voltavam a se empenhar.

Da entrada, ouviu-se um desdenhoso bater de palmas. "Parabéns, belo discurso..." Era Brock, um dos gêmeos. Seu irmão, Talon, estava logo atrás, quieto e observador, como sempre.
Brock é sempre sarcástico, quando não é agressivo. A primeira postura é reservada aos amigos, que não são muitos. Além de Grinn e seu próprio irmão, talvez só Cyan o deixe a vontade para o sarcasmo. O próprio Lorde não se ofendia. Na verdade, achava graça, abrindo seu costumeiro sorriso sincero.
"Lorde Dunkan chegou as minas, ele está coordenando os mineiros junto de Meistre Otelo. Ele quer saber quais as condições do broche sul"

"Ótimo. Talon, vá até meu irmão e diga-lhe que ainda temos pelo menos 30 homens presos. Ainda não pude encontrar mestre Gerard. Ele correu para as minas logo que soube do acontecido, e provavelmente ficou preso com seu grupo no túnel secundário, após o segundo desabamento. Quanto ao números de feridos e mortos, o encarregado os têm em suas anotações."

Ambos os irmãos estranharam que Cyan pedisse a Talon, o mais quieto. O lorde então mandou o outro ir até o seu cavalo, que estava lá fora: "Brock, vá pegar meu alaúde. Ache alguém que saiba toca-lo, e coloque uma canção alegre nesse lugar. Já basta de chuva e lamentos".
O garoto ficou ainda mais contrariado com serviço desses. Aceitou como uma espécie de castigo por zombar do MacLeod.

A situação do lado de fora não era menos triste. Sob o céu cinza e a chuva fina, havia muito movimento. Corpos eram levados e jogados em uma vala coletiva. Feridos espalhados pelo chão gemiam e gritavam por socorro, e mulheres e velhos que chegavam da aldeia clamavam por seus entes queridos, chorando e praguejando quando os encontravam mortos ou feridos.
Cyan pensou que aquilo não lhe parecia diferente do que era o campo de uma batalha terminada. Pôde imaginar que a montanha rainha havia estraçalhado o pequeno exercito de mineiros armados de suas picaretas, como a um cavaleiro em carga que esmaga formigas sob as ferraduras de seu cavalo de guerra.
Seu pensamento foi que era o bastante para um homem ver esse tipo de horror uma vez em sua vida.

Em meio os lamentos, podia-se ver que a única coisa incansável era garoa fria que acoitava sem parar. Nos olhos fundos das pessoas ficava claro que começavam a se dar por vencidos.
Lembrando do que havia visto agora a pouco no interior da mina, o jovem subiu em uma rocha um pouco mais alta, e disse o mais alto que pôde:

"Olhem aqui!" alguns sem entender, procuraram pela voz, que era firme e com tom de raiva. Estavam ávidos por uma resposta a toda aquela tragédia.

"Hoje eu estou triste. Estou decepcionado com o meu povo" Vendo o lorde, sujo de lama e dizendo tais palavras, as pessoas, antes resgatadas de sua dor, se sentiam mais perdidas. Baixavam o olhar para encontrar nada mais que o chão.

"Eu acreditava que éramos mais fortes do que isso. O isso que estou vendo hoje? Vocês já estão cansados? Pelo que? Por um dia e uma noite de trabalho? Somos tão fracos assim? Bem eu sei que não".

Agora, o povo voltava a olhar para Cyan. Alguns paravam o que estavam fazendo, e um grupo se formava em volta dele, para ouvi-lo.

"A um ano atrás, quando saqueadores vieram para nossas terras, o que nós fizemos? Ficamos parados olhando? Não, nos os arrastamos para fora daqui!" apontando para o estandarte da família, prosseguiu "Naquele dia, nosso senhor, Lorde Dunkan, estava conosco, assim como hoje! As pessoas olhavam-se entre si e murmuravam Pois bem, e quando caem algumas pedras, nós vamos nos abater dessa forma? Aonde está a força de vocês? Aqueles que lutaram comigo?! A chuva de hoje é tão pior do que as flechas que enfrentamos? E o vento é mais cortante do que as espadas e machados? Pois eu digo, para os MacLeods, isso é só a brisa da tarde! Hoje é um dia de verão! Agora me digam, a que casa nós servimos?!"

Os homens responderam em uma só voz "Aos MacLeod!"

"Quem nós somos?!" perguntou novamente, erguendo o punho

"Os MacLeod!!" responderam com mais ímpeto ainda.

"E qual o nosso lema!? Eu digo a vocês! Nos forjamos Ferro! Ouro! e Homens!"

O povo repetia: "Forjamos ferro, ouro, e homens!"

"Sim, nos forjamos FERRO!"  Disseram a ultima palavra em único coro.

"Nós forjamos OURO!" Novamente, como um só gigante

"E NÓS FORJAMOS HOMENS!" Todos gritaram as palavras da casa. Esse era o lema dos MacLeod.
Nós conquistamos com a espada e governamos com o ouro, pois sabemos moldar homens fortes de espirito.

"Então vamos levantar essa montanha e tirar nossos irmãos debaixo dela! Agora!" a multidão berrava em uma torcida. "MacLeoood! MacLeoood! MacLeood!
 Os exaustos, os feridos, os sem esperança, ergueram-se de seus lamentos. Muitos gritavam por Cyan, dizendo "Salve o irmão de Ferro!" outros clamavam pelo lorde "Salve o irmão de Ouro, ele veio nos ajudar!"
"Salve os MacLeod"
Diziam outros.

O jovem então desceu da rocha, cumprimentando e encorajando aqueles que o buscavam, enquanto ia em direção ao estandarte de seu irmão.

**********************************************************************************************************************************
(Fim da primeira parte. Esse trecho do Cyan fica mais legal se rolar na ordem que foi no jogo, com a cena do Dunkan primeiro. O numero 30 eu chutei ali, pois não lembro ao certo. Mas era algo em torno disso ou 50, acho.)

************************************************************************************************************************************************
Narradora:
XP = +1 participação; + 1 qualidade da resposta; + 1 Apresentação/Iniciativa = +3.


Última edição por Cyan MacLeod em 24.01.16 6:50, editado 1 vez(es)
avatar
Cyan MacLeod

Mensagens : 10
Data de inscrição : 14/04/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Cyan - Capítulo II

Mensagem por Cyan MacLeod em 15.01.16 4:39

O cavalo descia com cuidado pela trilha elameada que abria caminho pela montanha. Depois de passar pelos casebres que ali se formavam, apressou o passo, e seguiu em galope para o norte, coberto pela chuva que apertava.
Os camponeses haviam falado que o velho Moki previu o desastre. Ele havia avisado. Ele sabia. "A terra sempre chora a dor de seu senhor" Havia dito.
Cyan contou a seu irmão, Lorde Dunkan, sobre a crença que o povo simples da região tinha nos presságios do curandeiro. Completou afirmando que a presença dele faria bem ao espírito abatido dos homens e mulheres cansados e feridos que ali estavam. O senhor da casa concordou, e pediu que o trouxessem até a mina. O jovem MacLeod conhecia o caminho, e já havia conversado com velho Moki algumas vezes. Por isso se ofereceu a busca-lo, sabendo que devido a seu passado, era justo que ele temesse um chamado dos nobres de Coroa Dourada.

Eram suas lembranças enquanto se apressava, montado em seu cavalo marrom de patas brancas, molhado e sujo como ele mesmo estava. Velho Moki já havia sofrido pelo menos uma vida de desespero devido a ira de Lorde Cornelius, e por que? Por saber de curas antigas. É verdade nem todos acreditavam nisso, mas Cyan havia visto mais de um homem quebrado ou criança doente serem curados pelo velho. Com seu rosto queimado e deformado, ele havia voltado da floresta do basilisco, e continuava a praticar sua cura, apenas porque os aflitos pediam a ele.
Em seus pensamentos, não esquecia a imagem de um corpo esmagado por uma viga, ainda segurando um brinquedo de criança feito de madeira. Em meio a tais histórias, o que passava em sua mente é que talvez não houvesse nenhuma ligação entre bondade e boa fortuna, no julgamento que o destino fazia por nós.

E talvez para zombar do homem, foi que o mundo interrompeu seus pensamentos colocando a sua frente a imagem das velhas ruínas. Havia chegado no pequeno povoado das terras altas, ao pé da colina que erguia as paredes partidas, de pedras cinzas e cheias de musgo. Indo mais devagar, passou ao lado da construção, olhando-a. Como sempre, a ruína retribuiu o olhar, quieta e solene, pois entre a fenda na muralha se via o ancestral represeiro, com seu rosto esculpido no tronco branco, de orbitas negras e vazias.
Cyan engoliu a seco e virou-se para o caminho que seguiu.

Logo estava próximo ao centro das casas, que servia de praça. Sua atenção foi arrebatada por uma comoção de vozes femininas, que praguejavam e escarneavam.
O jovem se aproximou da pequena turba, mas não a tempo de impedir que uma das senhoras arremessasse uma pedra na mulher que era alvo da repreensão das demais. "Bruxa!" gritou.
A pequena pedra acertou-lhe o rosto, abrindo a carne que retribuiu vertendo sangue.

Em um reflexo, Cyan rapidamente cavalgou para colocar sua montaria entre a vitima e as agressoras, parando enquanto empinava o imponente cavalo. Respondeu com um sonoro "Chega!", arrancado do fundo de seus pulmões.
O grupo era de mulheres, senhoras e alguns velhos. Assustados, demoraram alguns segundos para conseguir enxergar por trás da lama e ver que quem estava diante deles era o próprio irmão de ferro.
Alguns sussurravam tal apelido entre si, enquanto uma das mulheres, ainda segurando uma pedra, disse em uma mistura de raiva e lamento: "É culpa dela! é culpa dessa bruxa o que aconteceu nas minas! Essa maldita!" ela ergueu a mão, já pronta a apedrejar a pobre alma em que mirava. "Saia daqui!.
"Eu disse que já chega!" Interrompeu o jovem lorde. "O que é que vocês estão fazendo?!" disse, controlando a montaria irrequieta, que dava uma volta no lugar em que estava "Com todos os feridos que nós temos no broche sul, vocês estão aqui apedrejando uma moça? Já não chega de sangue por hoje?!" ele puxou as rédeas e manteve o cavalo no lugar, o que também firmou suas palavras "Vão fazer algo mais útil! Nós precisamos de comida e curativos lá em cima. Vão ajudar suas famílias, tenho certeza que podem fazer algo por lá que seja melhor do que ficarem machucando uns aos outros"

Mesmo os que estavam com raiva, se calaram. Talvez pelas palavras ditas, talvez por serem ditas por um nobre. Não fazia diferença naquele momento, pois Cyan se satisfez em ver o grupo se dissipar. Voltou-se para a mulher ferida, e a olhou com mais cuidado. Estava com parte do vestido rasgado, e com machucados que se espalhavam pelo corpo. O rosto cansado mas bonito, enfeitado pelo cabelo ruivo, lhe era familiar. Era Olivia, uma camponesa que vivia quase exilada, próxima a cabana de velho Moki.
"Você está bem? Olivia, não é? Está muito ferida? Pode andar?"

Olivia levantou-se com dificuldade, mas apressada. Limpou o sangue misturado a lágrimas que lhe sujava o rosto, e segurando a alça partida do vestido, disse em meio ao choro: "A minha filha! Ela sumiu! Eu preciso acha-la! Por favor, me ajude! Amora, ela sumiu!"

Cyan sentiu o coração gelar, ouvindo o pedido sincero de uma mãe desesperada lhe atravessar o peito. O que poderia fazer naquele momento, na situação em que as coisas se encontravam?
"Acalme-se Olivia. Me conte o que aconteceu."

"Ela saiu para brincar, e não voltou. Ela deve ter ido até a floresta! Eu disse a ela para não ir! Eu preciso de ajuda! Preciso ir atras dela! Oki! Oki foi procura-la, ele também não voltou!"

Aliviado em saber que o batedor Oki, o filho de Moki, estava procurando a menina, pensou rapidamente que ao menos poderia leva-la para casa, aonde estaria mais segura, sem ele próprio se desviar de sua busca pelo curandeiro.

"Olivia, se alguém pode encontrar Amora, pode ter certeza que é o Oki. Ele conhece a floresta como ninguém. Venha, suba. Eu vou leva-la até em casa, eles já devem ter voltado para lá"

Ainda assustada, mas com alguma esperança, Olivia subiu no cavalo, com a ajuda de Cyan, que bateu as botas nos flancos do cavalo que saiu em disparada. Cavalgaram para o norte, a camponesa e o nobre, sujos da mesma lama, sangue e desespero.

Algum tempo depois seguindo a trilha quase apagada, chegaram aos limites das terras MacLeod, aonde estava o pequeno bosque que logo cedia lugar a floresta do basilisco, o inicio das terras do senhor de fogo morto.
Ali jazia um casebre de madeira, e outro menor próximo a ele, ao lado de uma horta. Cyan se aproximou, e perguntou sobre Moki a Olivia.

"A ultima vez que eu o vi, ele havia dito que iria até o porto" Praguejando por dentro, o jovem não pode conter uma careta de descontentamento com sua falta de sorte.
Notou também que não havia sinal de Oki ou de Amora. Virou-se para a mulher e disse, tentando acalma-la "Olhe, eu sei que é difícil, mas fique aqui. Quando Oki voltar com sua filha, é melhor que você esteja em casa para conforta-la. Antes que ela soltasse suas palavras, ele continuou "Eu irei até o porto em busca de velho Moki, ele também poderá ajudar a encontra-la."
Cyan não deu tempo para que Olivia, ainda em duvida, protestasse. A ajudou a descer do cavalo e moveu-se para o oeste, passando no caminho pelo casebre de Moki.
A porta e as janelas estavam fechadas. Chamou uma vez, depois outra. E sem resposta, seguiu para o porto.

Em outra zombaria, não bastou nem meia hora para que o mundo devorasse e cuspisse aos pés de Cyan os restos de suas palavras de esperança.

Antes tivesse ficado com Olivia, ou mesmo nunca tivesse seguido pelo caminho que tinha feito aquela manhã, se seu coração quisesse ser poupado de tal ferida. Cyan sabia. Sabia assim que o viu. Mas era difícil aceitar. Poucos quilômetros a frente, o horizonte lhe trouxe Oki, o batedor, que carregava sobre os ombros algo envolto em farrapos.

Diminuiu o trote e se aproximou da figura estranha, alta e magra. Não gostava daquele homem sempre suspeito, e de certa forma, fazia algum sentido que ele viesse como arauto de tal desgraça.
"Oki! Eu encontrei Olivia, ela me disse sua filha foi até a floresta, e você saiu para procura-la." Falou o nobre.

"Mylorde?..." Respondeu Oki, com um certo espanto. Era difícil saber, na verdade, se era mesmo espanto, pois toda a expressão de Oki era sempre envolta em um mar de trejeitos e tiques, cantados em uma voz que bruxuleava entre tons de escárnio, ameaça e indiferença.
Seguiu com uma pausa, que não o fazia parecer menos estranho, mas que até para ele, deu um toque solene.
"... Sim... eu a encontrei."

A farpa que antes entrara no coração de Cyan na forma dos lamentos de Olivia, era nada mais que uma semente, que naquele instante irrompeu-se em um espinheiro que lhe rasgou o espírito.
Há gente morta em todo lugar, pensou na tentativa de se conformar. Mas uma criança, é sempre mais horrível. Ainda mais quando tem nome. Quando tem uma mãe. Uma mãe que tinha esperanças, e agora não terá mais.

Sua resposta foi um breve silencio. Baixou a cabeça, e suspirou. "Venha, eu o levo até Olivia". Oki relutou. Mas Cyan insistiu, tomando o corpo nos braços e o colocando a sua frente. O batedor montou no lombo do cavalo.

A cavalgada de volta pareceu bem mais longa, e com certeza era muito mais amarga. Cada passa que a montaria dava fazia com que o corpo sem vida se mexesse, abrindo espaço entre o pano que o envolvia.
Cyan pode ver Amora, que não tinha mais idade que seu sobrinho Dorian, quieta em seu colo, com a pele pálida e os lábios enrubrecidos. A roupa rasgada e ensanguentada mal cobriam o vazio aonde deveria estar seu ombro e parte de seu pescoço. A mordida do animal não deixara mais que um contorno de carne e pele estraçalhada.
"O que houve?"

"Foi um basilisco... quando eu a encontrei, já estava assim. Não pude fazer nada."

Tais monstros eram comuns na floresta que cercava Fogo Morto, e por tal razão era um feito tão grandioso que os Drakulya tivessem conseguido fincar ali as suas raízes. Minguem se atrevia a entrar naquele local amaldiçoado, além de tais descendentes de Valiria. Ninguem além deles e do velho Moki.
"Eles não deviam estar no bosque... esses ataques.. estão cada vez mais frequentes.." Continuou Oki. Cyan apenas se manteve pensativo. O silencio logo o incomodou. "Eu preciso conversar com seu pai. Olivia me disse que ele foi até Porto de Outono."

"O porto? Que negócios ele teria por lá?... Não, não... Ele deve ter saído em uma de suas caminhadas... talvez até o velho represeiro. Ele logo deve estar de volta."

Como tinha vindo de lá, o MacLeod sabia que esse não era o paradeiro do curandeiro. A frustração o fez decidir por ficar quieto.
O fato é que ele sentia, apesar dos olhos fechados da criança, que ela observava aqueles dois homens derrotados cavalgarem.

Olivia também soube assim que os viu ao longe. Suas pernas tremeram e a derrubaram, ali mesmo onde estava. Afundou o rosto em suas mãos, mergulhado em lágrimas.
Oki desceu do cavalo, quieto. Cyan lhe entregou o corpo, bem coberto, também sem falar nada. Não tinha coragem de dizer algo a Olivia. Desmontou e amarrou as rédeas em uma cerca. Em silêncio, colocou a mão sobre o ombro da mulher, e logo entrou na casa.

O filho de Moki deixou Amora sobre a mesa que tomava o centro da cozinha. O jovem lorde percebeu que Oki havia pego uma pá, e então perguntou: "O que vai fazer?"
"É melhor enterra-la logo. Olivia não deve vê-la nesse estado." respondeu.

"Deixe ela ver, se ela precisar disso. Deixe que chore pela filha."

Oki ficou em duvida. Havia alguma razão nisso, apesar de ser cruel. Cyan apenas pegou a pá da mão o homem esguio.

"Vá conforta-la, é algo que ela também precisa" Disso Oki não duvidou, e assim saiu da casa.

Sozinho com o restos mortais de Amora, pensou por alguns segundos e decidiu olhar novamente com mais atenção. Talvez fosse a falta de sono trazendo alguma paranoia, ou a pressa que o batedor tinha em enterra-la, mas Cyan com certeza não teria vergonha em dizer, se lhe perguntassem, que naquele momento chegou a desconfiar do estranho e suspeito Oki.
Olhou a ferida e era mesmo a marca de um animal selvagem, que não só tinha dilacerado o pescoço como também rasgou e devorou outras partes do corpo. Notou em especial que havia uma mordida no tornozelo, aonde deve ter sido o primeiro ataque.
Cobriu a criança novamente, com cuidado, como se a protegesse do frio, pronta a dormir. Seus olhos ficaram úmidos.

Foi nesse momento que percebeu como estava exausto. Já fazia um dia completo de trabalho duro, sem dormir ou comer nada. O sangue dos primeiros homens que corria em suas veias podia lhe preencher de vigor, mas parado como estava agora, vazio de comida e de sono, sua vontade era só por descanso.

Tenho de achar o velho Moki. Aonde será que ele está? No porto? Não, Oki é filho dele, ele deve saber melhor. Se eu for até o porto, e ele voltar até aqui, não vou encontra-lo... Acho melhor esperar... Cyan bocejou. Se ficasse ali logo seria vencido pelo cansaço.
Olhou novamente para o corpo coberto em cima da mesa, e por um momento, isso lhe trouxe lembranças de Pentos. Um amigo a qual nunca pode ao menos enterrar.
Pegou a pá, e saiu. Procurou um bom lugar, e o encontrou embaixo de uma bonita arvore.

Cavou como pode, uma cova bem feita, se ocupando por cerca de uma hora. Contemplou sua obra, a arvore, depois o casebre que abrigava um corpo e uma mãe que lamentava, e por fim, mirou o horizonte, dono de um céu tempestuoso. Apreciou o vento no rosto e sem saber porque, sentiu-se calmo, como se todas aquelas peças de alguma forma, se completassem.

Então decidiu que não poderia esperar mais. Com ou sem o curandeiro, ele próprio poderia fazer mais pelos mineiros voltando para ajudar. Entrou na casa, aonde viu Oki e Olivia, que velava o corpo. Fitou o homem por um instante, e depois disse "Oki, quando seu pai voltar, diga a ele que o procuro" ele assentiu com a cabeça, ainda que contrariado "Mylorde..."
Aproximou-se da mulher, que olhou para ele, com seus olhos fundos de quem havia chorado por toda uma vida. "Não deixe que essa dor a destrua por completo." Disse Cyan, sem jeito, mas sincero. Calejada pela vida dura, ela entendeu a intenção do jovem, talvez bem mais do que ele mesmo, e por isso não respondeu com nada mais que acenando com a cabeça. Voltou-se para sua filha, e lágrimas transbordaram de seus olhos, sem nenhum esforço ou expressão.

Desamarrou a montaria e seguiu novamente para o sul, voltando a montanha rainha.

Um desastre, uma mãe em prantos, uma inocente perdida... Cyan pensava que tais eventos até pareciam partes de um pressagio ruim, e se amargou por não saber interpreta-lo.
Não quis se perguntar o que viria depois. Mas o mundo, o mundo lhe traria mesmo assim.

*********************************************************************************************************************************************
Eu quero deixar claro que o primeiro post foi editado pelo narrador, que colocou as fotos. Porque eu não tenho nada a ver com o Cyan ter ficado muito putão assim nessa foto sem camisa huauhauh

Narradora: Pois é verdade, eu editei as fotenhas...não tenho culpa se o jogador fica descrevendo o personagem sem camisa!!!! Já falei que teremos muita nudez masculina...rs...espera só o Daniel postar....as fotenhas com as nádegas do Dunkan já estão engatilhadas...e pelo que me lembro ele tirou a roupa duas vezes!!!!

O chato dessa parte 2 é que eu tive de tirar a resposta epica do Cyan pro Oki sobre os ataques do basilisco, depois que a V. explicou sobre o lance do bosque nas nossas terras.

Narradora: Épica foi a motivação de cavar a cova. Agora fez todo sentido...


************************************************************************************************************************************************
Narradora:
XP = +1 participação; + 1 qualidade da resposta = +2.
avatar
Cyan MacLeod

Mensagens : 10
Data de inscrição : 14/04/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Cyan - Capitulo III

Mensagem por Cyan MacLeod em 21.01.16 4:44

O caminho de volta não foi mais rapido, nem mais facil ou mais curto. Sua frustração se misturava ao cansaço de seu corpo, tornando-se uma mesma sensação etérea que envolvia sua mente sonolenta, como uma névoa que vinha pouco a pouco tentando dormecer os seus pensamentos.
Após algum tempo. chegou novamente na vila, aonde perguntou sobre velho Moki. Sem obter alguma resposta significativa, desviou das ruinas, evitando pensar nos velhos deuses, na menina morta ou em pressagios de uma terra que chorava por seu senhor.

Não longe dali, avistou um casal que ia devagar montado em um cavalo. Aproximou-se, buscando saber quem eram. "Mylorde, estamos levando alguma comida para as minas. Espero poder encontrar nossa família bem" disse o homem que conduzia o animal. A sua esposa segurava entre eles uma cesta.
Cyan sentiu o estomago apertar. Doia como se ali dentro morasse um velho rabujento, que chutava as paredes pedindo por comida. Contraiu os musculos do abdomem e fez um esforço tremendo para resistir a vontade de pedir ao casal um pedaço de pão.
Foi quando notou algo familiar: A senhora vestia uma capa vermelha, simples mas muito bem feita. Já havia visto essa capa antes, mas sem lembrar aonde. Perguntou, para saber apenas que a propria mulher a tinha feito, assim como outras que as vezes vendia.
Desejou boa sorte ao casal, e voltou a se apressar pela trilha.

Já perto da base da cordilheira, foi que viu ao longe uma comitiva de cerca de cinquenta homens. A frente vinha o estandarte da espada flamejante sobre a montanha, bandeira de seu irmão. Mais atrás, outro com três barcos prateados em um fundo azul com borda dourada. Pensou por um instante, para lembrar que se tratava da casa Farman, de Castelo Leal.
Sua ilha ficava próxima a Porto de Outono, podendo ser considerada como uma das casas vizinhas. Provavelmente eram os donos da maior frota mercadora das terras ocidentais, atrás apenas dos próprios Lannister.
Cyan não se sentia a vontade para nobres ou politica, ainda mais na situação em que estava. Julgou ser melhor ir a frente do irmão e ver como estava a situação da mina.
Foi o que fez, e logo estava subindo devagar pela ingreme e sibilosa passagem até o topo.

Após passar pela grande cova que ainda era cercada por choro e lamentos, pelo leito de alguns feridos que jaziam estendidos pelo chão, e por gente que ia e vinha sem parar, pôde enfim ser recebido por Lorde Lionel, que organizava a situação na ausencia de Dunkan.
"Sor Lionel! Como estamos?" Disse, sem descer do cavalo.

"Ah, Lorde Cyan. Já conseguimos abrir passagem até os homens que estavam presos desde o primeiro deslizamento. A situação parece segura agora. Lorde Dunkan partiu para Porto de Outono para providenciar pessoalmente o material necessario para os reparos." Foi o que disse com sua voz costumeira, em tom calmo e firme. "Ele ordenou tambem que os feridos mais graves fossem levados para Coroa Dourada, e atendidos pelo próprio Meistre."
"Encontraram Mestre Gerard?"

"Sim, como esperado, ele estava junto de seus mineiros. Xingava como sempre, perguntando porque demoramos tanto."

Cyan sorriu maliciosamente e disse em brincadeira:"Aquela toupeira velha... Aposto que saiu correndo de onde estava para tentar segurar a montanha inteira sozinho"
"Não duvido" Respondeu o primo, também sorrindo.

Entre outros relatos, o irmão de ferro acabava de contar sobre seu insucesso em encontrar velho Moki, quando ambos notaram a chegada de uma carroça. Era guiada por ninguem menos que Grinn, trazendo a seu lado o próprio curandeiro.
Os camponeses logo ajudaram o velho a descer, enquanto muitos o cercavam, cheios de suplicas.

Grinn desceu logo em seguida, se desvencilhou do grupo que se formava e veio até os dois nobres. Se apresentou com sua cara mal humorada coberta da barba espessa, e roupas ensopadas da mesma chuva que estavam todos.
 "Aye" Rosnou, no sotaque das terras altas. Apontou para sua carroça, que carregava algumas pessoas presas. O batedor então explicou que trazia consigo ladrões. Gente que se aproveitou da confusão para tentar se apossar de algum ouro.
Sem falar nada, Cyan admirou a eficiência do homem, que ainda hoje não deixava de surpreende-lo. O mesmo acontecia com a índole das pessoas, a quais ele nunca teria imaginado serem capaz de tirar proveito de uma tragédia como aquela. Contemplou o grupo e em um instante reconheceu entre eles um casal, aonde a mulher vestida uma capa vermelha.
Pensou consigo mesmo o que teria acontecido na estrada se ele tivesse pedido humildemente por um pedaço de pão, vindo de uma cesta cheia de ouro roubado.

Foi em resposta a seu pesar que ouviu uma voz doce e aflita lhe chamar: "Tio, tio!"
Em constraste com toda aquela morte, dor e tristeza, a figura da jovem dama até parecia uma visão, pintada no cenário desolado que os cercava.
Apesar de coberta com trajes que não eram seus de costume, muito simples e humildes, vinha vestida de seus olhos claros cor violeta, e os longos cabelos de um loiro prateado. Sua aparência quase que encantada parecia gritar, exigindo aos homens que se curvassem ao sangue dos dragões da qual era fruto.
"Sara? O que você está fazendo fora do castelo?"

"Eu sai para procurar por Dana! Ela havia sumido e eu estava preocupada com ela.."

Apesar de incerto sobre as motivações da garota, Cyan estava cansado demais para julga-la. Em sua mente berrava apenas o pensamento de a deixar longe do perigo o mais rapido possivel. Notou que a sobrinha era seguida pela bastarda Dana, e ambas vestiam uma capa com capuz. Sem se preocupar com a dama de companhia, dirigiu-se a sua sobrinha: "Você não devia ter saido de lá. Suba aqui, vou te levar para Coroa Dourada."
Com a primeira filha de seu irmão na garupa, estalou as rédeas, rumo ao castelo.

Entre as enormes muralhas negras, rajadas de ferro e ouro, os pesados portões de madeira se abriram, logo que os guardas da torre de vigia viram o cavalo se aproximar. Uma tenda improvisada fora armada no patio, que abrigava dezenas de feridos deitados no chão. Entre eles, servos apressados preocupavam-se em ajudar da melhor maneira possivel, liderados por ninguem menos que o proprio Jovem Meistre.
Diante de tal visão, Cyan ficou intrigado em constatar novamente como aquele homem, geralmente tão pacato, parecia possuido de uma confiança sobrenatural quando realizava suas tarefas.
Se os tempos dificieis podiam arrancar de uma pessoa o que ela trazia em seu intimo, fosse isso isso bom ou ruim, então talvez os deuses não fossem mais do que pais desajeitados, surrando os homens em exagero na tentativa de lhes ensinar algo.

Dando a volta pelo lado norte do forte, parou na entrada lateral, que era coberta por uma varanda. Ali ajudou a sobrinha a descer, enquanto pediu a um servo que chamassem por Liz. "Sara, vá se secar, e dessa vez fique aqui." Tentava parecer severo, mas sua sinceridade natural o fazia parecer mais preocupado do que bravo. "Não saia novamente sem avisar, é muito perigoso lá fora para uma dama como você andar sozinha. Seu pai irá ficar furioso quando souber"
A garota desviou os olhos para o chão, em uma pausa, antes de voltar-se para homem no alto de seu cavalo. "Por favor Tio, não conte a meu pai. Ele já tem passado por tantos problemas... Não... Não quero que se preocupe mais por minha causa..."
O tom de voz tremulo desarmou Cyan, que julgou um pesar genuino naquele olhar inseguro e piedoso. Ele proprio nunca havia acreditado que mentir ou esconder algo pudesse ser bom, mas a verdade era que naquela mesma manhã, havia dito o que pensava sem hesitar, soltando palavras de esperança a uma mãe que buscava a filha, para minutos depois lhe trazer um cadaver. Estava cansado, e por isso considerou ser um pouco mais comedido com seus impulsos em fazer o que achava certo. Ao menos por enquanto.
Suspirou, tentando fazer com que a jovem não percebesse que estava sendo brando demais. "Está bem, apenas para não causar mais problemas a seu pai. Mas eu espero que conte a ele sobre isso no momento certo."
Acenando com a cabeça, despediu-se a da sobrinha. "Liz, leve Lady Sara para seu quarto, e a ajude a se trocar.". Observou as duas darem as costas, e então notou que a capa que a dama vestia era vermelha, sendo muito parecida com a da mulher que havia visto presa. Foi pensando naquilo que deu meia volta e trotou até o estabulo.
Lá, desmontou. "Cuide bem dele... Está cansado e todo molhado." Disse ao cavalariço que veio tomar as rédeas. "Tenha certeza de seca-lo bem, e lhe dê algumas maçãs." Segurou a cabeça do corcel pelo arreio, gentilmente encostando sua testa no focinho do animal e fazendo um carinho com as mãos. "Obrigado" Sussurou. Ao partir, passou a mão pelo flanco, vendo o servo partir com o cavalo para a sua baia.
Procurou por um momento, dando falta do mestre dos cavalos. Foi quando viu Aidan, o cuidador de cães, que tambem era por vezes ajudante do Meistre. Ele saia do forte, apressado, carregando uma sacola cheia. Decerto suprimentos que o próprio Otelo havia pedido para que o aprendiz buscasse.
Apertou o passo para se aproximar, enquanto o chamava "Aidan! Aidan!" o homem parou. "Você sabe aonde está Anton? Não o vi em lugar algum."
Ele respondeu com um silencio apreensivo. Cyan sabia da fama do mestre dos cavalos, e com isso imaginou a resposta.
"Vamos, se sabe de algo, diga-me."
"Eu não gostaria de lhe causar problemas..."
O jovem nobre respeitava esse tipo de fidelidade. Julgava-o por um bom homem, e que talvez até se sacrificasse por seu superior. Era costume de Cyan dar as pessoas o beneficio da duvida, mas Aidan já tinha conquistado mais, pois tinha o incomum apresso de Lady Veivila, o que para ele, já dizia muito sobre o caracter de um homem.
"Olhe, você sabe assim como eu que será pior para Anton se, nessa situação, meu irmão souber de sua falta, "
Aidan pensou novamente, e disse a contragosto:
"Eu não sei mesmo, Mylorde. Gostaria, mas não sei. Apenas o vi bebendo... Eu o vi com uma garrafa, e depois, não o vi mais."
Confirmando suas suspeitas, o irmão de ferro não pode contar uma imediata expressão de desaprovação. Se tinha algo que despresava, eram pessoas a quais não se podia confiar.
O cavalariço deve ter percebido tal rancor, e por isso continuou:
"Por favor Mylorde, não o entenda mal.. Mas a cova coletiva... Foi demais para ele... Lembrar de sua familia.."

As palavras fizeram Cyan amenizar seu julgamento, talvez cativado pela evidente preocupação que o homem demostrava.
"Ele é o mestre dos cavalos... A responsabilidade é dele em estar aqui, quando precisamos dele..." Parou, engolindo o resto de seu sermão. Por um momento, as suplicas de sua propria sobrinha percorreram sua mente. "... Apenas, diga a quem vir que eu o procuro, e se souberem dele, me avisem no mesmo instante, está bem?"
O servo, ainda preocupado, concordou, se retirando para seus afazeres.

O MacLeod tirou outro breve momento para pensar, mas sua cabeça estava embalada pelo cansaço. Assim, se satisfez com o silêncio por longos segundos, os quais aproveito para voltar-se para o céu, de olhos fechados, sentindo os pingos de chuva em seu rosto.
Lentamente sua paz momentanea foi sendo preenchida pelas vozes do mundo, ao som do gemido dos efermos que sofriam não muito longe dali. O velho Moki! Lembrou. Descançou a mão sobre o cabo da espada, ainda presa a sua cintura, e caminhou decididamente em direção aos portões.

Logo após cruzar a pequena ponte de pedra, pode ver novamente a comitiva de subia em direção ao castelo. Dessa vez, tirou da pequena bolsa de couro que trazia consigo uma lente de Myr, companheira desde os tempos de aventuras nas cidades livres.
Através de sua mágica, pode ver claramente seu irmão, que cavalgava imponente a frente das dezenas de soldados. Montado a seu lado, um homem de cabelos curtos e loiros, vestido ricamente, e que trazia em seu rosto um sorriso largo. Sem saber bem o porque, Cyan sentiu uma inquietante desconfiança naquela expressão. Com isso, moveu sua lente e constatou que Sor Albert vinha logo atrás, em vigilha. Em seguida, reconheceu Sor Rommer, que parecia estar apressado, se esforçando para manter-se proximo a dupla de lordes. O homem calvo estava muito atento, o que tambem parecia um tanto suspeito.
Logo viu tambem uma liteira, adornada de forma exuberante, com plumas coloridas e outros enfeites que não pareciam serem de westeros.

Tal opulencia não lhe despertou nenhuma simpatia. Ao contrario, apenas o fez se sentir mais distante. Estava mais intrigado com a situação dos mineiros e do velho curandeiro, e julgando estarem as visitas e seu lorde em melhores condições sem a sua presença, decidiu por descer até o broche sul por uma rota mais direta entre as pedras, possivel apenas a alguem sem montaria.
************************************************************************************************************************************************
Narradora:
XP = +1 participação; + 1 qualidade da resposta = +2.
avatar
Cyan MacLeod

Mensagens : 10
Data de inscrição : 14/04/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

CYAN - CAPITULO IV

Mensagem por Cyan MacLeod em 24.01.16 6:42

Viajar em Westeros é sempre perigoso. Quando viajou com a comitiva de seu pai, as vezes era como uma viagem de nobres, com soldados para a vigia, um menestrel para alegrar a noite e um bom cozinheiro e um forrador, para ter comida fresca e quente no estômago. Outra raras vezes, o Lorde aventureiro cavalgou com poucos homens, e era mais como quando marcharam na guerra. Com longas noites de vigilha, as vezes sem ter o que comer. Quando havia chance, as horas de sono eram curtas, com o céu estrelado e feridas recem atadas para cobrir o corpo.  
Esse tipo de tratamento era comum para um homem em campanha, soldado ou cavaleiro. Foi assim que Cyan se tornou familiar com o cansaço. Mas mesmo conheçendo bem a sensação, as vezes ainda se surpriendia com as peças que podia pregar em si mesmo.
Por isso praguejou alto, quando lembrou que esteve ao lado da cozinha de Coroa Dourada, e esqueçeu completamente de apanhar algo para carregar em sua barriga. Ainda duvidou de seu bom senso outras vezes, após um punhado de escorregões na rocha molhada.

Quando voltou a trilha, olhou para cima, ainda a tempo de ver a comitiva perder-se para dentro do castelo. Coçou a cabeça, ponderando consigo mesmo que tipo de MacLeod preferia ralar a bunda descendo a montanha do que passar por entre uma comitiva de bem vestidos e educados visitantes. Ocorreu-lhe por um instante a imagem de Connor, e que talvez fosse assim que o homem se sentia.

Logo se virou, e após uma curta caminhada pode se abrigar embaixo da tenda aonde Sor Lionel ainda se encontrava, organizando os trabalhadores. Cumprimentou o primo, e logo desceu em direção a um grupo de pessoas que cercavam velho Moki.

Nesse momento, viu se aproximar um grande cão negro. Este era seguido por outros dois, que acompanhavam uma carroça pequena. Por um momento, Cyan sentiu um frio na espinha ao contemplar a sinistra figura que a guiava, encapuzada por um manto negro e pesado e com uma presença que não era em nada menos selvagem do que a das feras a seu lado.
Ainda não havia se acostumado com tal sensação, mas havia aprendido a gostar dela. Tinha se tornado excitante como o receio repentino em apostar tudo em um lance de dados, ou em por a vida em jogo na ponta de sua espada, em um duelo. Para ambos os casos a recompensa viria aos corajosos, e era nesses instantes, ao sentir o coração acelerado pelo perigo, que alegrava-se em constatar os belos labios femininos, desenhados graciosamente na pele alva do meio rosto que brotava por baixo do capuz. Era Lady Mormont, a mestra da caça e dos cães.

Ao percebe-lo, o cão rosnou. Cyan respondeu curvando-se e dando pequenos tapas em suas proprias coxas: "Aqui, garota. Vem, vem"
Mas o animal não demonstrou simpatia, e disparou em sua direção, com os dentes a mostra.
O jovem teve um ou dois segundos para pensar, e não saberia dizer se por coragem ou idiotisse, ficou parado.

"Morrigan!" A ordem veio como uma flecha, e tecida em um tom firme, foi tão eficiente como uma coleira que tivesse puxado o pescoço da cadela, que parou no mesmo instante.
O comando bastou para que a Cane Corso* reconhecesse que não havia perigo, e assim cedeu ao chamado convidativo. Sem demostrar seu alivio, Cyan fez nela um generoso carinho, vigorosamente passando as mãos em sua cabeça e costas.
Logo olhou para a carroça: "Ah, Lady Veivila. Como vai, nesse dia tão bonito?"
(*Cane Corso é a raça dos cães que ela treina)

A pergunta podia soar como ironia, dadas as circunstancias, mas não da forma com que Cyan a colocava. Por trás do cabelo molhado e desgrenhado, o rosto sujo trazia olhos azuis e alegres, sobre um sorriso verdadeiramente sincero, como se ele realmente apreciasse aquele momento, apesar da chuva e da tristeza.
Sua resposta foi um breve sorriso, traçado em algum lugar entre o desdem e o sarcasmo. Ela desçeu da carroça, jogando o capuz para trás.

A nortenha era uma mulher bela e jovem, da mesma idade do proprio MacLeod. Uma mecha dos cabelos negros lhe caia pela lateral do rosto, contrastando com os olhos verdes e bonitos. Era comum que a temessem, e mais comum ainda que desaprovassem os habitos daquela Lady que vestia-se com pesadas roupas de patrulha e passava mais tempo com suas armas do que com o bordado.
Cyan imaginava que para a maioria dos homens dos sete reinos, habituados a donzelas gentis e calidas, seria normal se sentir inquieto. Era uma sensação contraditoria, a de estar atraido pela beleza genuina de uma mulher e ao mesmo tempo, se sentir ameaçado pelos trajes masculinos e possibilidade ter seus próprios dentes quebrados.
Mas para ele, que tinha conhecido Dorne e Essos, ela não era tão incomum. Mais do que isso, ele respeitava suas habilidades unicas, e principalmente sua capacidade em ser honesta consigo mesma, apesar de tão longe dos costumes de sua terra natal.
 Para um homem que havia viajado por uma vida e voltado, ela era um raio de sol de animo. Sua pequena joia na maçante corte de Coroa Dourada.

"Não muito bem... Tive um desentendimento, com Lorde Dunkan."

Ainda abaixado, extendia seu carinho as outras cadelas que se aproximaram juntos da dama. Olhava bem para cada animal, tentando puxar pela memoria seus nomes. Morgause e... Visenya? Sempre imaginava a reação de um Targaryen que escutasse o nome da rainha ancestral em uma cadela. Com o mesmo semblante apreensivo, escutou a destacada ironia no tom da palavra "Lorde". Pois-se de pé.

"O que houve?"

Ela suspirou, soltando o ar com um bufado frustrado "Eu... Tive noticias... Que barcos chegariam. Mesmo durante a tempestade. Por isso juntei todos os soldados que pude, para defender o porto dos homens de ferro." Terminou, com a tipica amargura que carregava ao falar do povo das ilhas.

Realmente, Cyan não havia percebido em quão incomum era navegar naquele tempo chuvoso. Isso despertou sua curiosidade quanto a visita que recebiam "Mas eram... os Farman." Disse, pensando na comitiva que havia visto.

A jovem acenou afirmativamente com a cabeça, antes de prosseguir de forma mais vigorosa: "Se fosse um ataque, deveriamos estar prontos! Ele deveria me agradecer por colocar a guarnição a postos.

Cyan deu os ombros "Tenho certeza que ele entende a situação."

Ela riu, novamente com ar de desdem. "Lorde Dunkan não entende nada."

"Não seja tão dura. Isso não é verdade. Você sabe que ele entende de muitas coisas. Muitas das quais nem eu nem você fazemos ideia."

Ela fez um breve silencio, pensativa, talvez percebendo que havia certo exagero em suas palavras.

"Olhe, Lorde Dunkan se esforça como Senhor de Coroa Dourada, e com sucesso. O trabalho de um senhor... Não é facil. Nem sempre nós iremos entende-lo, mas devemos confiar nele."

Cyan conhecia bem o geito severo e exigente do irmão. Sabia tambem do gênio da Mormont, com seu orgulho nortenho, que as vezes parecia preferir agir antes de pensar, sendo corajosa e teimosa demais para seguir ordens. Podia esboçar os dois discutindo em uma dezena de quadros diferentes.

"Lady Veivila, se fosse mesmo um ataque, o que você teria feito?"

"Teria lutado!" Respondeu no ato, mais rapido do que teria defendido um golpe de espada. Os olhos acesos como brasas.

"Contra uma invasão no porto? Você não poderia lutar sozinha. Se viessem pelo menos dois barcos, seriam dois guerreiros experientes para cada um de nossos recrutas, e assim teriamos perdido cem dos nossos, e a mestra da caça e dos cães."

Ela ouviu a contragosto, como se ele a menosprezasse. "Mylady, entenda que uma guerra não é tão simples como uma luta um contra um. Atacar o inimigo diretamente as vezes é o caminho mais rapido para a derrota."

A mulher o fitou, em silêncio. Tinha o olhar afiado de uma caçadora. Logo se abaixou, tomando do chão um punhado de terra escura. De pé, voltou a encara-lo, erguendo a mão diante de si.
"Eu jurei que defenderia essa montanha. E é o que farei!"

A Mormont abriu o punho cerrado, deixando a terra cair ao vento. Mas antes que limpasse o que sobrou em sua luva, foi surpriendida por Cyan, que gentilmente lhe apanhou a mão, a fechou novamente, e segurou firme entre as suas proprias.

"Lady Veivila... Essa montanha, somos eu e você... e Nós devemos defende-la, juntos."

Os olhos verdes, grandes e bonitos, se arregalaram em surpresa. Algo tão incomum de encontrar em seu rosto.

"... Seu pai... Seu pai me disse isso uma vez."

Cyan tambem se surpriendeu com a resposta, sem saber se sentia aquilo como um elogio ou não. Apenas soltou a mão, e disse de forma jocosa "Bem, meu pai dizia muitas coisas" sorriu, ao mudar de assunto.

Mas Lady Veivila pareceu manter-se pensativa. Ele aproveitou como uma deixa: "Poderia me dar uma carona até Coroa Dourada? Estou sem meu cavalo"

Ela não emergiu totalmente de suas consideração, mas chegou a responder, curiosa: "O que houve com ele?"

"Após um dia e uma noite na chuva, eu o deixei em Coroa. Achei que pelo menos um de nós merecia descançar... E como eu não consigo carrega-lo..." Ainda mantinha o ar brincalhão. Recebeu novamente em troca um sorriso, mas dessa vez era mais como o de alguem que dividia uma piada. Ele devolveu com sinceridade, feliz em diverti-la.
"Mas eu tenho conversar com velho Moki antes. Eu não demoro. Poderia me esperar?"

Uhum Disse brevemente "Pode ir", talvez voltando para seus pensamentos.

Satisfeito, Cyan foi até o curandeiro, andando por entre os camponeses, que abriam caminho ao reconhece-lo. Ao se aproximar, sentou-se próximo ao idoso, e o cumprimentou: "Olá Velho Moki! Como está?

O povo das terras altas dizia que, nos tempos de Lord Cornelius, Moki já era velho. E o tempo, não tinha sido gentil com ele desde então. Por baixo do manto grosso e surrado, estava um corpo sofrido. Era cego e profundamente deformado, não só pelo incêndio que matou quase toda sua familia, mas tambem sabe-se lá o por que outros horrores encontrados na floresta do basilisco.
Mas apesar de tudo isso, ainda era um homem gentil, e era isso que cativava Cyan.
"Ah, Mylorde Cyan... O que posso fazer pelo senhor..?"

"Soube que, o senhor previu tal tragédia nas minas"

"Eu apenas avisei... Que a terra chora a dor de seu senhor..."

O lorde pensou por alguns segundos antes de dizer, agora com um tom preocupado "Velho Moki, eu gostaria de lhe pedir que, se isso acontecer novamente, procure me avisar o quanto antes."
Pensava no irmão, e nos outros nobres, e principalmente na historia sobre seu avó, e por isso procurou tocar no assunto de forma cautelosa "Alguem pode interpretar mal"
O velho pareceu curioso
"... Sabe... Se ouvirem que alguem falou sobre um acidente, e ele acontecer, podem julga-lo mal, e eu não gostaria disso"
Talvez por entender o ponto em que o jovem lorde queira chegar, Moki respondeu
"Não se preocupe, Mylord, eu apenas divido com os meus... O que os deuses me contam"

"Sim.. Mas... Me avise, está bem? Assim talvez possamos fazer algo a respeito. Para evitar. Pelo menos fazer algo maior do que fizemos, depois dessa trágedia"

"Não se preocupe, Lorde Cyan, não existe nada maior do que os deuses"

Pensativo, ele respondeu "Mas os homens se unem para atingir algo maior. Não esse o objetivo da fé?"

Em sua sabedoria, Moki manteve-se em silencio, deixando Cyan com sua própria pergunta e resposta. Era como se ele reconhecesse que o jovem tivesse tocado uma pequena parte de uma grande verdade, sem nem perceber. Sem estar pronto para perceber.
Provavelmente para deixa-lo tranquilo, disse finalmente: "Eu farei o possivel, jovem Lorde..."

Dando por suficiente, Cyan se levantou "Otimo" Sorriu "Se precisar de algo, ou se eu puder ajudar, me procure"

O velho acenou positivamente com a cabeça, de forma humilde. "Ah... Tambem gostaria de pedir que.. Veja Olivia ainda hoje. Ela irá precisar do senhor" Moki pareceu não demonstrar muita surpresa. "Ela perdeu.. A pequena Amora" Cyan baixou o rosto, triste ao ouvir as palavras em voz alta. "Oki está com ela, mas acho que seria bom se o senhor..."
"Não se preocupe Mylord... Eu irei ve-la"

""Certo. Obrigado Velho Moki." Foi partindo "Cuide-se!"

Logo o MacLeod deu lugar a outras pessoas, que vinham pedir conselhos e amparo. Ele próprio ficou feliz em ver Lady Veivila, já em sua carroça, que esperava por ele.
Passou novamente a mão em uma das cadelas, antes de subir e sentar se ao lado da Mormont. "Vamos?" Disse sorrindo, enquanto abraçava a si mesmo em uma tentativa de se aquecer.

Ainda sob uma garoa fina, e entrelaçados pelo frio, o casal rumou para o alto da montanha rainha.
----------------------
(Ah, finalmente o post epico do Cyan dando a cantada epica dele /o/
 Já a parte do Moki eu não lembro de quase nada e precisei dar uma boa improvisada. Então me ajudem ae quem lembrar de algo)

************************************************************************************************************************************************
Narradora:
XP = +1 participação; + 1 qualidade da resposta = +2.

avatar
Cyan MacLeod

Mensagens : 10
Data de inscrição : 14/04/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: CRÔNICA: O LAMENTO DOS IMORTAIS - Prólogos

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum